Imagem dos integrantes do Antiprisma.

Antiprisma segue grandiosamente distinto em “Coisas de verdade”

Agora como um quarteto, o Antiprisma segue com o seu som distinto no novo álbum de inéditas "Coisas de verdade".

Atualizado em: dezembro 30, 2024 às 9:10 am

Por Guilherme Costa

Eu conheci o Antiprisma em 2021, quando eles lançaram o single “Não Verás País Nenhum”. O movimento natural foi ir atrás dos álbuns lançados (“Planos para Esta Encarnação” e “Hemisférios”), onde me chamou a atenção como a dupla formada por Elisa Moos e Victor José, misturou o Folk e a música caipira em seu primeiro álbum (cuja faixa favorita é “Das Coisas”, com o seu final apoteótico), e como as adições de guitarras elétricas, meio Blues Rock, do segundo disco – embora haja espaço para o “som clássico do Antiprisma” em “Caos” – deixaram o seu som mais encorpado.

Entre “Hemisférios” e o disco “Coisas de verdade”, lançado hoje, sexta-feira (8), via Orangeira Music, foram cinco anos de um espaço que contou com a pandemia da COVId-19. Agora com a adição de Ana Zumpano (bateria) e Beeau Gomes (baixo), o Antiprisma deu um novo passo na sua carreira com o seu terceiro álbum de inéditas. Eles ficaram mais elétricos? Sim. Tem viola caipira? Claro! Há algo diferente disso? Com certeza!

Antes de comentar o que surge diferente em “Coisas de Verdade”, é importante destacar como o grupo soa mais elétrico do que os seus antecessores. “Que Seja” (faixa que nem parece ter pouco mais de cinco minutos) e sobretudo “Euforia”, revelam como o Antiprisma agora funciona como um quarteto, e como a guitarra (e a viola caipira plugada) está mais em evidência, com direito à solo. Mas o grande prelúdio do Antiprisma mais rock e menos Folk, foi o single “São duas horas e está tudo bem” – faixa natural para um single (e hit), que algumas pessoas puderam ouvir antes do seu lançamento por estar presente em alguns shows que o grupo fez em 2022 e 2023.

Porém o grande choque ocorre a partir da quarta faixa, “Saturnino”, com o dramático e tenso violoncelo (tocado por Mário Manga) abre a Caixa de Pandora do Antiprisma. Aqui, ainda há a viola que, novamente, é a marca do grupo. Mas é impossível não pensar em como a ousadia começa a dar as caras. A sequência é a eletrônica faixa título, que logo me remeteu ao clássico “Rise”, do PIL; em conversa com a Elisa (eu estive na audição do álbum, e sim, estou me exibindo um pouco) ela comentou que houve influência do “O Blesq Blom” dos Titãs (também cito a abertura do álbum “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”).

E o que falar da misteriosa “Wilma miragem”? Zumpano guia a faixa com uma bateria ao estilo “Venus In Furs (Live MCMXCIII), do Velvet Underground, enquanto Elisa e Victor cantam “Olho nos olhos/ pergunte o que quiser/ eu vejo a noite/ eu vejo calafrios” Para quem ouviu a versão da banda do Lou Reed, não preciso que o baixo de Beeau Gomes é tão forte quanto!

O álbum finaliza com o Blues Rock de “Um rosto desconhecido na esquecida” – faixa que tem pouco mais de oito minutos – e o seu “Teatro dos Vampiros”, “Tente Não Esquecer”. Esta foi a segunda prévia do álbum e conta com a participação do cantor Bemti. O final do álbum, curiosamente é a ligação com o primeiro, já que ela é a música caipira do Antiprisma em sua essência (essa ligação me ocorreu com o single “Vampiros”, que me muito me lembra “Subsistência”).

Cinco anos separam o último e o novo álbum do Antiprisma, Ouvir “Hemisférios’ e “Coisas de Verdade” é como olhar para a sua própria evolução, percebendo que a sua essência segue intacta!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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