Melhores do Ano (2025): 43duo – Sã Verdade

Atualizado em: janeiro 22, 2026 às 7:29 pm

Por Guilherme Costa

No ano passado eu conheci o 43duo por um grande acaso — vi uma postagem do Felipe De Mari Scalone (Cyansh) no Instagram e pesquisei o som da banda. A curiosidade me fez descobrir um disco (“Se7e Sonhos”) cheio de camadas eletrônicas que caminha entre o Indie e o psicodélico — com umas doses experimentais — que logo caiu no meu gosto. Não à toa, o segundo álbum de inéditas da dupla, formado por Hugo Ubaldo (vocal e guitarra) e Luana Santana (bateria, synths e vocal), esteve entre os Melhores do Ano de 2024.

Pouco mais de um ano depois, Hugo e Luana lançaram o seu terceiro álbum de inéditas (“Sã Verdade”) mostrando que a extensa e proveitosa turnê do “Se7e Sonhos” (que teve destaque aqui no site) rendeu muito mais do que novos admiradores. A propósito, foi pelo palco que o terceiro disco começou a ser desenhado, uma vez que a dupla trouxe a experiência das músicas ao vivo para o estúdio (e não do estúdio para os palcos).

“Esses movimentos de mudança ocorrem de uma forma natural. As canções demo foram surgindo, e nós gostamos de experimentar elas ao vivo, na maioria das vezes nós já sentimos como elas podem ficar”. Comentou a dupla em entrevista para o site, em que eles também comentaram que: “após o lançamento do “Se7e Sonhos”, que é um trabalho que adoramos, sentimos a necessidade de deixar as coisas o mais orgânicas possíveis. Nas primeiras reuniões de produção já comentamos isso para o Felipe”.

Com Felipe Scalone seguindo na produção, os elementos eletrônicos ficam bem mais comedidos em relação ao seu antecessor, e as doses de psicodelia — em geral, influenciada pelo Pink Floyd — muito mais presentes, fortes, orgânicas e viscerais (como ocorrem nos shows das bandas do gênero)!

“Sã Verdade” inicia com as duas faixas que melhor sintetiza as intenções do duo, sendo crua — embora com uma produção muito bem preenchida — e com a liberdade da improvisação do ao vivo. “Sã Verdade”, a faixa que abre o álbum, existe entre uma bateria simples mas que é daquelas linhas memoráveis por causa da sua dinâmica e as guitarras rebeldes, que ora segue numa palhetada reta, ora descamba para um grande solo. Já “Sal e Sina”, cuja introdução traz uma guitarra firme e poderosa, é mais “rebelde” ainda, com Hugo e Luana estando muito confortáveis na liberdade que a faixa os deu; a letra é interessante, uma vez que ela sugere a abordagem das nuances (ora benéfica, ora maléfica):

“toda essa sina/ de ficar por onde for/ tudo se ensina/ menos conviver com a dor/ ver o sol de cima/ e ficar por onde for/ tudo se ensina/ menos conviver com a dor”

Formado em Paranavaí, interior do Paraná, o contato com a natureza é uma das direções que o 43duo segue em suas letras, seja num teor contemplativo ou contestando e acusando a nossa relação com ela. Em “Sã Verdade”, isso não é diferente, e em “Navio dos Sonhos” — música que eu sempre achei ter uma pegada meia AOR, talvez por causa das camadas de synths — não é diferente; a mensagem da dupla é clara, ao passo que Hugo canta os versos é tanta mão de tanta gente/ sem semente pra lançar!”.

Já em “Cabeça Vasta (Chuva Cinza)”, a sonoridade psicodélica ganha tons de Garage Rock (com muito reverbs), enquanto “Concreto” brinca com o nome do título do álbum — “Sã Verdade” veio da intenção de confrontar o conceito de Pós-verdade, como eles cantam na faixa “só bem sei que essa estrada/ leva ao centro do caos/ bem querer é mais nada/ pós-verdade e o mal”. Essas faixas, bem como “Guabiruba pt. II”, também são grandes exemplos da sonoridade mais orgânica da dupla.

Em 23 minutos de álbum, Hugo e Luana dizem e tocam muito, mesmo que os tempos das músicas não ultrapassem os 5 minutos de duração e as letras não sejam tão longas. Aqui, o menos é mais elaborado.

O 43duo está entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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