Melhores do Ano (2025): Felipe Parra – Conversas Imaginárias

Atualizado em: janeiro 22, 2026 às 7:18 pm

Por Guilherme Costa

Após três anos do lançamento do álbum de estreia, “Estrela”, o músico e produtor Felipe Parra lançou o seu segundo disco de inéditas. “Conversas Imaginárias” saiu no dia 16 de maio, de forma independente, dando seguimento a roupagem voltada para o Hip-Hop que foi iniciada com o EP “Janela Laranja”.

Entre as influências para o novo álbum, curiosamente está um personagem que se aproxima mais de “Estrela”. Cassiano, lendário músico e um dos grandes nomes da Black e Soul Music no país, não é necessariamente emulado, como Parra comentou em entrevista para o Um Outro Lado da Música:

“(…) Ele é uma referência pra mim não necessariamente no emular de uma sonoridade. Acho que a principal influência que ele exerce sobre o meu trabalho é de tentar ser complexo no simples. De criar letras e melodias que você ouve pela primeira vez e parece que aquilo já existia antes. Dessa familiaridade da música que toca na rádio AM da cozinha da tua casa. Tenho muita dificuldade em citar artistas que influenciam diretamente minhas músicas, mas consigo enxergar diversas camadas de influências com aquilo que eu ouço, trabalho e interajo.”

Nessa intenção de criar uma música que soe familiar para o ouvinte, Felipe Parra construiu um álbum que, em pouco mais de 33 minutos, flui de forma leve, natural e dinâmica, bem longe de ser maçante. Mas se pararmos para prestar a atenção em suas músicas (letras + instrumental), perceberemos um universo rico em texturas, balanço e mensagens. Com base no Hip-Hop, o álbum traz elementos do Jazz, R&B, Lo-Fi e MPB.

“Quebranto” abre “Conversas Imaginárias” com um violão swingado e uma percussão de pano de fundo que se fundem com os beats da faixa. Isso é um ponto interessante no álbum, porque as camadas de beats eletrônicos estão presentes em todas as faixas e, ao misturar com instrumentos orgânicos, ela ganha mais musicalidade — como se o seu universo, e poder de atingir vários tipos de públicos, se expandisse.

“Não Me Importo Mais”, que conta com a participação de Edyelle Brandão, é uma faixa que poderia ser facilmente um single, até pelo conteúdo lírico que aborda o fim de um relacionamento nas perspectivas dos dois músicos envolvidos. Edyelle também canta na faixa “Escorpião”, cujo beat é a cara do que nós, pessoas dos trinta e tantos anos, ouvíamos na MTV e MIX TV na adolescência; mas como eu disse, a música não é apenas beat: entre um baixo simples e pulsante e uma guitarra minimalista, a música se desenvolve até o seu ápice, que é o vocal no estilo Gospel da Edyelle.

Participação é o que não falta em “Conversas Imaginárias”. As presenças do rapper Uterço, Weslei Rodrigo, Rodrigo Tuchê, Diabelsmusic e Diamusiq — além da já citada Edyelle Brandão — são outros elementos que enriquecem a atmosfera do álbum. Destaco, aqui, a faixa “Racionalmente” (com a participação de Uterço) e “Arritmia”; enquanto a primeira se baseia numa linha de jazz, cuja presença do trompete é sentida durante toda a sua duração, a segunda caminha de forma sutil entre um Jazz e Lo-Fi, da qual a parte instrumental se conecta com grupos como o Andaluz.

Entre as letras, Parra também não foca em uma só temática, cantando sobre o encanto de uma paixão (“Sorriso Dela”), reflexão e resiliência duma infância nada fácil (“Otimista”), relembra a sua relação com a avó (“Quebranto”), disserta sobre as várias batalhas do cotidiano (“Inconsciente”), entre outros assuntos que fizeram parte das conversas imaginárias de Felipe Parra.

Felipe Parra está entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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