Atualizado em: janeiro 22, 2026 às 7:24 pm
Por Guilherme Costa
Não é novidade que a MPB, dentro do imenso guarda-chuva de estilos que a sigla cobre, tem se renovado e voltado a ganhar destaque na mídia — mesmo que ainda não no mainstream — e encontrado um público jovem para encantar e inspirar. Dentre os artistas que certamente são apontados como (alguns dos) destaques dessa nova safra, estão a Dora Morelenbaum, Julia Mestre, Zé Ibarra, Nina Maia, Jadsa, YMA, Ana Frango Elétrico e a sergipana Tori.
A jovem cantora, aliás, agitou o ano de 2025 com o seu segundo disco de inéditas “Areia e Voz” — lançado no dia 6 de outubro, via Guano —, que saiu dois anos após a estreia (“Descese”), cuja produção ficou à cargo de Domenico Lancellotti e da própria musicista.
Mesmo com a adição de instrumentos de percussão, cordas (violinos, violoncelos…) e sopro, o violão segue sendo o grande parceiro da voz da cantora, estando mais destacado no álbum, mantendo a identidade da musicista. Em “Areia e Voz”, Tori constrói uma relação entre paisagens serenas que podemos evocar ao imaginar um período na areia de uma praia, contemplando o mar e nos livrando de qualquer estresse que a vida possa nos acometer, como ela canta na faixa-título (que conta com a participação de Nina Maia): “quero me lembrar das/ maravilhas/ que vem e/ vão logo após/ areia e voz/ passeiam devagar/ elas pertencem ao ar”.
A abordagem mais minimalista segue em outras faixas, como em “Júlia e Bebéu” — que conta as histórias e vivências da Tori com os avós —, “Discreta Paz” (que conta com a participação de Francisca ‘Chica’ Barreto) e “O Som de Quem Dorme Bem”, cuja paisagem remete bastante a atmosfera que a MPB deu ao Rio de Janeiro (cidade onde a cantora está atualmente baseada), flutuando entre linhas delicadas de violão, flautas e bateria; ela também é enriquecida com a bela voz de Guilherme Lirio.
No entanto, há espaço para timbres mais pulsantes — com uma roupagem mais sofisticada, como em “Rios Aéreos” —, como ocorre na dançante e pop “Repouso” (que conta com a participação de Bernardo Bauer), em “Trastejo”, cujo início entre no clima Blues do Raul Seixas, e em “Harmonia é do Mundo” à medida que esta cresce durante o seu andamento.
Criado entre 2022 e 2024, as paisagens evocadas no álbum passam muito pela sua vivência em seu estado natal (Sergipe), que é homenageado na última faixa (“Cartografias”), com Tori cantando “que bom, Aracaju/que me ensinaste/ sobre grandezas, também sutilezas/ mistério e poesia”. “Areia e Voz” é o retrato de várias experiências que se tornaram arte, sendo outro grande passo na carreira solo da Tori.
Tori está entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música!





